Lombalgia, exercícios e meio aquático: visão geral

Lombalgia, exercícios e meio aquático: visão geral

Na busca pela saúde, profissionais estão procurando novas e qualificadas formas de obtenção e manutenção da qualidade de vida. Queixas sobre dores nas costas e articulações são comuns. Entender o tipo de execução mais eficiente e segura dos exercícios, administrando as sobrecargas que envolvem os segmentos e tratando os transtornos músculos-esqueléticos lombares é muito importante para obtenção de saúde.

Indivíduos portadores de transtornos na região lombar são encaminhados para diversos tipos de tratamento, entre eles a natação. Relacionar a natação como sendo mais uma alternativa de tratamento dos problemas posturais na região lombar não é tarefa fácil. Relatos sobre o uso sistematizado desta prática para a correção dos desvios posturais ou tratamento dos transtornos músculos-esqueléticos não são encontrados comumente em literatura específica.

Segundo Moffat e Vickery (2002, p.23) “A causa mais conhecida de lesões dos músculos e das articulações é, com certeza, o esforço excessivo sobre as costas.” Na opinião destes autores os efeitos da inatividade tendem a se tornar maiores com a idade (TRIBASTONE, 2001; MOFFAT,VICKERY, 2002). O exercício regular pode ajudar a evitar este problema, e de fato, um indivíduo idoso que é ativo pode possuir suas costas “mais jovens” do que um inativo aos 30 anos (MOFFAT, VICKERY, 2002). Estes transtornos músculos-esqueléticos podem provocar a dor nas costas, que é um sintoma muito presente e pode ter muitas causas. Dor lombar é conhecida como lombalgia. A síndrome de lombalgia possui três fatores externos primários principais: a fraqueza muscular na região lombar e abdominal, a instabilidade da coluna lombar e flexibilidade articular precária nas costas e nos membros inferiores (MC ARDLE et al., 2003).

Para aliviar ou eliminar a dor nas costas são buscados os mais variados tratamentos, que partem do simples descanso na cama, apoio para a coluna, relaxante muscular, tratamentos complementares e até cirurgia. Segundo Voigt (2002, p. 54) “muitas pessoas são acometidas de dores nas costas, e procuram aulas de flexibilidade, como objetivo de aliviar este incomodo.” Além dos tratamentos, já citados, um arsenal de analgésicos é utilizado, porém esses tratam um sintoma e não a origem do problema.

Um estudo de comparação dos efeitos compressivos do disco intervertebral nas condições de levantamento de peso nas posições sentada e em pé, afirma que uma redução das propriedades mecânicas da coluna vertebral pode desencadear e/ou acelerar o desenvolvimento de processos degenerativos nos discos intervertebrais e ainda provocar o desenvolvimento de lombalgias (DEZAN et al., 2003)

Os fatores desencadeantes das lombalgias demonstram a necessidade de preparação por meio de exercícios físicos dentro de uma metodologia de correção postural, visando facilitar o emprego de nosso corpo na rotina de vida. Nos relatos de Vinagre (2002, p. 9) “pode-se afirmar que inúmeras experiências corporais venham a se sobrepor a esta primeira experiência corporal, mas nunca apagá-las da memória remota destes indivíduos.” E complementa “[ . . . ] explorar o meio aquático através de uma intervenção pedagógica seja adequado em qualquer idade, por diferentes motivos.” Acrescenta Figueiredo (2004) “estando um indivíduo sem um apoio no fundo da piscina, qualquer movimento executado por um, ou mais membros em uma referida direção, modificará as características de estabilização e o indivíduo irá adaptar-se a um novo estado de equilíbrio.” Estes autores concordam que o meio aquático traz benefícios ao corpo humano.

Para Kruel (2005, p. 267) “um corpo imerso na água participa de um sistema dinâmico, havendo troca de energia calórica entre este corpo e a água até equilibrar o sistema.” O ensino terapêutico de autocontrole, por meio de desequilíbrios, auxilia o indivíduo a obter maior controle corporal, através da normalização de amplitudes de movimento, tônus muscular e força, e melhora o condicionamento físico. Estes desequilíbrios são provocados pela resistência ao movimento, que em terra é oferecida pelo ar e no meio líquido é oferecida pela água. Esta resistência é chamada de arrasto (CAROMANO, 2003). Kruel (2005) complementa afirmando que quando movimentos similares são executados com igual velocidade nos meios aquático e terrestre, as intensidades do esforço não são necessariamente idênticas, fazendo com que a caminhada aquática ou determinados exercícios aquáticos localizados correspondam a uma maior sobrecarga (KRUEL, 2005).

Para Vasiljev (1997, p.13) “o homem na água movimenta-se mais livremente e sente-se mais desinibido; isso significa que os movimentos na água são também positivos para o relaxamento mental do homem.” Favorecendo ainda a liberdade de se movimentar, proporcionando alegria e a realização de atividades que não são possíveis ou são praticáveis, porém, com muita dificuldade em terra. (SKINNER, THOMPSON, 1985).

Segundo Figueiredo (2004) as características dos exercícios realizados na água (diminuição das forças de impacto e resistência ao movimento) apontam para segurança e eficiência que dão as atividades aquáticas legitimidade, tanto na área terapêutica quanto no fitness e no desempenho Para Farias (1995) no meio líquido nosso corpo é alvo de uma força impulsora que o torna mais leve (empuxo), diminuindo o impacto na execução das atividades de deslocamento, melhorando a compressão das articulações, discos e vértebras.

Portanto, no meio aquático, o estresse ortopédico é reduzido fazendo com que o exercício para os indivíduos que apresentam altos riscos de fraturas relacionadas ao impacto sejam favorecidos (CHU et al., 2003). A exploração do meio líquido por meio de uma intervenção pedagógica é indispensável em qualquer idade. Lobo (2000) apresenta dois aspectos: a atração pela ludicidade e os benefícios das propriedades físicas da água. Neste breve texto, vê-se que a natação além de favorecer um bom condicionamento físico, continuará a ser instrumento dos profissionais da saúde no tratamento das mais variadas lesões por propiciar aos seus praticantes o relaxamento mental, o tratamento e a redução da dor e do risco de lesões.

REFERÊNCIAS

CAROMANO, F. Movimento na água. In: Fisiot. Brasil– vol. 4, n. 2, p.1 – 4, mar./abr. de 2003.

CHU, K; RHODES, E; TAUNTON, J; MARTIN, A. Maximal Physiological responses to Deep Water and Treadmill URNG in Young and Older Women. In: Journal of Aging and Physical  Activity, Champaign, v. 10, n 3, 2002.

DEZAN, V; RODACKI, A, RODACKI, C; SANTOS, A.; OKAZAKI, V; SARRAF, T . In: Brazilian Journal of Biomechnics. Ano 4, n. 7, p. 41- 48, nov. 2003.

FARIAS, S. Hidroginástica: Propriedades terapêuticas da água na estruturação anatomo-fisiológica dos idosos. Florianópolis: Centro de Desportos/departamento de Educação Física. Ed. UFSC, 1995.

KRUEL, L.; GRAEF, F; TARTARUGA, L; ALBERTON, C; Freqüência cardíaca em homens imersos em diferentes temperaturas de água. Rev. Port. Cien. Desp., set. 2005, v. 5, n. 3, p. 266-73.

LOBO, A. Terapia corporal no meio aquático com pessoas na terceira idade. Dissertação de Mestrado. UFRGS. Porto Alegre, 2000.

Mc ARDLE, WD.; KATCH, FI.; KATCH, VL. Fisiologia do Exercício – Energia, Nutrição e Desempenho Humano. Trad. Giuseppe Taranto. 5ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

MOFFAT, M; VICKERY, S. Manual de manutenção e reeducação postural da American Physical Therapy Association. Tradução Walkiria Settineri. Porto Alegre: Artmed editora, 2002.

FIGUEIREDO, P. Análise eletromiografica de exercícios abdominais realizados por mulheres no meio líquido. Dissertação de Mestrado. UFRGS. Porto Alegre, 2004.

SKINNER, A.T.; THOMPSON, A.M. Duffield: exercícios na água. .São Paulo: Manole, 1985.

TRIBASTONE, F. Tratado de Exercícios Corretivos aplicados à reeducação motora postural. São Paulo: Manole, 2001.

VASILJEV, I. Ginástica Aquática: Adaptação técnica e científica. Antonio Carlos. São Paulo: Manole, 1997.

VINAGRE, Nelson Alexandre Campos. Proposta de Aprendizagem de Bebês em atividades Aquáticas. Dissertação de Mestrado. UFRGS. Porto Alegre, 2002.

VOIGT, L.   Ginástica localizada; métodos e sistemas.  Rio de Janeiro: Sprint, 2006.