Velocidade crítica

Marcos Franken

marcos-franken@yahoo.com.br

Programas de treinamento em natação necessitam da utilização de parâmetros de avaliação e controle para a quantificação das cargas e monitoramento do condicionamento físico do nadador, para se verificar as necessidades de cada atleta e oferecer uma prescrição eficiente das intensidades de treinamento (Vilas-Boas et al., 1997). Nesse sentido, a velocidade crítica (VC) pode ser definida como a mais alta velocidade média de nado que pode ser sustentada por um longo período sem atingir o consumo máximo de oxigênio, em carga constante, ou seja, se situa acima do limiar anaeróbio e da máxima fase estável de lactato no limite inferior da zona de intensidades severas (Dekerle et al., 2008).

Entre as vantagens da utilização da VC por parte do treinador de natação, podemos citar: 1) trata-se de um parâmetro não-invasivo, ou seja, sem a aplicação de coletas sangüíneas; 2) requer métodos técnicos simples, sem custo financeiro; e 3) facilidade de aplicação, podendo ser determinada mesmo durante as séries de treinamento (Dekerle et al., 2002).

A VC é determinada por meio da equação da reta de regressão linear entre a distância de prova e o tempo gasto para percorrer a mesma em máxima intensidade. Assume-se uma relação linear entre os respectivos pares de variáveis, dos quais são obtidos o coeficiente angular da reta de regressão (α), que corresponde ao valor da velocidade crítica (Wakayoshi et al., 1992).A determinação da VC pode ser realizada calculando-se a inclinação da reta de regressão linear obtida entre os pares de distância e tempo, de acordo com os critérios utilizados por Wakayoshi et al.(1992) (equação 1).

equation1

(Equação 1)

Onde y = valor de ordenada (eixo dos yy) (valor da distância nadada, ou seja, distância limite), x = valor de abcissa (eixo dos xx) (valor do tempo para a distância nadada, ou seja, tempo limite), α = valor da inclinação da reta (é o valor da VC que é expresso em m.s-1) e β = valor da ordenada na origem (valor ao qual a reta intercepta o eixo dos yy na origem do eixo dos xx. A inclinação a da reta (Equação 1) é obtida pela razão da variação entre pelo menos dois pontos (mínimo necessário para se estabelecer uma reta) dos valores das respectivas ordenadas (x, y), ou seja:

(Equação 2)

equation2

Sendo y uma distância (m) e x um tempo expresso em segundos (s), “α” é uma velocidade (m.s-1). Na Figura 1 pode-se observar um exemplo determinado pelos tempos para as distâncias de 200 e 400 m no nado crawl de um nadador (Franken et al., 2008). A realização dos desempenhos máximos poderá ser executada durante as sessões de treinamento ou em competições, desde que seja respeitado um intervalo mínimo entre cada teste.

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Figura 1. Tempos para as respectivas distâncias de 200 e 400 m no nado crawl de um nadador.

Pode-se observar, na Figura 1, que o valor do coeficiente angular da equação da reta é 1,42, o que representa o valor da VC (Franken et al., 2008). Com esse valor de VC, pode-se prescrever percentuais abaixo, similar e acima da mesma para o controle da intensidade de nado durante as séries de treinamento em natação.

Sugere-se que a VC seja influenciada por alguns fatores como: (1) utilização de diferentes combinações de distâncias para a sua determinação, principalmente quando empregado distâncias inferiores a 100 m; (2) diferentes faixas etárias, o que poderia resultar em diferentes adaptações quando utilizada para a prescrição das intensidades de treinamento; (3) nível de experiência do nadador para a realização de nados em máxima intensidade, considerando a VC quando aplicada a diferentes populações.

É possível perceber que a VC pode ser um parâmetro atrativo para treinadores verificarem os efeitos e prescreverem as intensidades do treino em natação. A combinação das distâncias de 200 e 400 m para a determinação da VC é recomendada, quando a consideramos para a aplicação prática do treinamento em natação para a população mais geral e a diferentes faixas etárias de nadadores.

Referências bibliográficas:

Vilas-Boas J, Lamares JP. Velocidade Crítica: Critério para a Avaliação do Nadador e para a Definição de Objetivos. In: XX Congresso Técnico Científico da Associação Portuguesa dos Técnicos de Natação, 1997.

Wakayoshi K, Ilkuta K, Yoshida T, Udo M, Moritani T, Mutoh Y. Determination and validity of critical velocity as an index of swimming performance in the competitive swimmer. European Journal of Applied Physiology. 1992;64:153-7.

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